quarta-feira, fevereiro 15, 2006

Tirando o véu

Como o Brasil pode construir uma cultura de clonagem terapêutica.

Desde o nascimento da ovelha Dolly em 1997, a clonagem humana vem sendo discutida e debatida no mundo inteiro. De um lado estão principalmente os grupos religiosos, contrários ao avanço da ciência em favor da ética e da moralidade. De outro, os cientistas e pesquisadores que lutam pelo avanço da ciência à qualquer custo.

O principal argumento do grupo contrário à clonagem é que a partir do momento em que o óvulo é fecundado, inaugura-se uma nova vida humana. É nisso que acredita o monge do mosteiro de São Bento e professor de teologia do Seminário São José, da Arquidiocese do Rio de Janeiro, Dom Estêvão Bettencourt. Em um artigo na Folha, ele afirma que, mesmo em casos de clonagem terapêutica, o fim não justifica os meios, e que a ciência deve ser pautada e orientada pela consciência ética.

Contrário à opinião do monge, João Pedro Junqueira, médico e doutor em ginecologia pela UFMG, declara no mesmo jornal que o Brasil não pode correr o risco de ficar de fora do grupo de países que realiza pesquisas de ponta nessa área. Segundo ele, o país tem pessoal qualificado, interesse, disposição e condições materiais.

Diante de tantos benefícios deste fantástico procedimento, acredito que o Brasil deve continuar a desenvolver técnincas de clonagem humana. Em março do ano passado foi tomado um importante passo rumo à consolidação da clonagem terapêutica no país: a aprovação da Lei de Biossegurança, que aprova e regulamentariza o uso de embriões para tal fim.

Não é possível que a ciência seja orientada pela "ética e moralidade". Envolta por tabus, supertições e proibições religiosas, a investigação empírica do corpo pela dissecção foi encarada como repugante e profanadora. Foi preciso esperar pelos artistas e médicos renascentistas que se debruçaram sobre corpos sem vida buscando no ideal estético/humanista enxergar a anatomia como disciplina científica. Retiraram o véu da sacralidade que cobria o corpo do homem e abriram caminho para a ciência moderana.

Definitivamente, é preciso tirar todo e qualquer véu que cobre a clonagem humana.